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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Filmes recomendados (V) - Julie & Julia


Um filme delicioso. É o que de cara podemos dizer, em trocadilho, sobre “Julie & Julia”. Mas é mesmo delicioso, ainda que não seja maravilhoso. Norah Ephron, roteirista e diretora, acerta ao entrelaçar, com cuidado e simplicidade, a história de dois livros — a parte de Julia foi inspirada nas memórias “My Life in France” e a de Julie no livro “Julie & Julia – 365 Dias, 524 Receitas e 1 Cozinha Apertada”.

Melhor não contar muito, aproveite para se degustar (ops) bons momentos, num filme que trata também de internet mas faz um delicioso (de novo!) paralelo com décadas em que a tecnologia ainda não dominava nossa vida (em especial, atente para a relação de cartas entre Julia e sua amiga americana, tão comum até algumas décadas atrás e totalmente substituida pela rede mundial de computadores).

Julia era enorme (sua irmã, que aparece no final do filme, maior ainda) e Meryl Streep teve que usar alguns artifícios para parecer bem mais alta (só vendo nos extras do DVD, não dá pra perceber). Mas enorme mesmo é o talento desta extraordinária atriz. Streep está pronta para mais uma penca de indicações como melhor atriz por mais uma atuação arrebatadora (e já foi indicada, em 15.12.2009, ao Globo de Ouro pelo papel). Mas Amy Adams não fica atrás e cria uma Julie cheia de nuances interessantes que envolve o espectador. Seus pares, respectivamente (o sempre impressionante) Stanley Tucci e Chris Messina (de “Vicky Cristina Barcelona), também merecem menção, com destaque também para a deliciosa (de novo!) trilha sonora de Alexandre Desplat. Delicie-se.

Resenha de Tommy Beresford para o site Cinema & Magia.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Filmes recomendados (IV)



Tampopo


A mistura perfeita de sabor e de vida (ou morte) abordada nos filmes que têm a comida como ponto central da trama, fascina muita gente. A lista de produções em que a gastronomia tem papel de destaque, é longa e interminável. Hoje então  destacamos um bem peculiar: Tampopo - Os Brutos também comem espaguete.

Tampopo é uma produção japonesa de 1985 dirigida por Juzo Itami. É uma comédia que prenuncia os efeitos da globalização na cultura japonesa, mais especificamente na culinária. Com o intuito de satirizar os filmes de cowboy, o produtor focaliza a trama numa história central, enquanto desenvolve uma série de outras pequenas narrativas paralelas, histórias deliciosas que entrecortam a trama principal e mostram a importância da comida na cultura e sociedade nesse país.

O filme conta a história da dona de um restaurante, Tampopo (Nobuko Miyamoto) que vê seus clientes insatisfeitos com seus pratos. Assim, junto com o entregador de leite, Goro (Tsutomu Yamazaki) e mais alguns amigos, se lança na busca da melhor receita da sopa de macarrão - aquele macarrão japonês, que vem com caldo e acompanhamentos e é parecido com o miojo instantâneo que comemos aqui no Brasil, mas com carnes, algas, legumes - cartão de visitas do seu restaurante.

O casal protagonista se vê envolvido nas mais divertidas situações, rodeada de cozinheiros tradicionais, bisbilhotando nos restaurantes, testando métodos e ingredientes, pesquisando, investigando e descobrindo segredos até conquistar a fórmula perfeita para converter o trabalho e o esforço de Tampopo em sucesso.

Em meio a isso tudo, rolam histórias de amizade, camaradagem, brigas bizarras, sensualidade, sexo, amor e uma miríade de cozinhas e cozinheiros. Destaco cenas interessantes, como a do 'mestre' que passa o segredo de se apreciar um bom espaguete, utilizando outros sentidos, além do paladar, como a visão, o tato e a audição, e dos mendigos-gourmet, que sabem mais de vinho e iguarias do que os melhores experts. A cena mais hilária, entretanto, fica por conta de uma professora japonesa e suas alunas, numa aula de como comer espaguete com elegância.

Ao evidenciar a alimentação no cinema, o autor acaba chamando a atenção do espectador através do sentido da visão, e o induz a 'sentir' o gosto da comida, antes mesmo que ela chegue à boca, ou seja, ensina as técnicas de 'comer com os olhos'.

Procure por este filme no cineclube mais próximo. É diversão garantida.


Resenha original (aqui editada) por Inês Mota, para o Blog ObjetOObscurO.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Filmes recomendados (III)


Ratatouille


Diferentemente do que eu vinha fazendo nos últimos tempos, ou seja, pedindo a amigos que recomendassem filmes  aos leitores do blog, hoje resolvi eu mesmo fazer uma indicação, aliás perfeita para este mês, cujo décimo segundo dia é dedicado às crianças. Portanto, nada como um filme que desperte nelas o sublime encantamento pelo mundo da gastronomia.

Este filme é Ratatouille, uma produção norte-americana de animação dos Estúdios Disney/Pixar. Uma produção até bastante recente, de 2007.

A trama gira em torno de Remy, um ratinho cinzento e culto que adora comida e possui a pretensão de um dia poder se tornar um chef.  Infelizmente para ele, que mora num dos piores dos lugares que existe, os esgotos de Paris, este é um sonho quase impossível, pois precisa lidar com a pobreza e com a insatisfação de não ter a vida que gostaria, inclusive tendo de sobreviver à custa de comida vinda de terceiros, sem a menor qualidade de preparo ou sabor.

Porém, quando Remy é pego em um desastre e acidentalmente é separado de sua família, ele vai parar no mundo dos humanos, acima do lugar onde morava: Paris, uma das principais capitais da gastronomia mundial. Lá, ele encontra Linguini, um desajeitado humano que precisa aprender a cozinhar para poder manter seu emprego no badalado restaurante Auguste Gusteau. Reunindo então o útil e o agradável, Remy e Linguini, juntos, resolvem conquistar então o paladar de toda a Paris.

A paixão de Remy pela arte culinária não demora a colocar em marcha acelerada uma engraçadíssima e eletrizante corrida de ratos que invadem o mundo da culinária parisiense. Remy então se sente dividido entre sua vocação e a obrigação de voltar para sempre à sua prévia existência de rato. Ele aprende a verdade sobre amizade, família e entende que sua única opção é a de aceitar quem ele é realmente: um rato que deseja ser chef de cozinha.

Brad Bird, o diretor, deu vida a um filme espetacular que nos revela a grande arte do saborear. Utilizando um roteiro até ousado para produções voltadas ao público infantil, ele criou personagens adoráveis e cativantes, com personalidades marcantes que brilham em meio às suas virtudes e vícios. As situações onde se encontram são verossímeis, as tramas divertidas e seus destinos satisfatórios. Ratatouille, enfim, tem de tudo. Em relação ao visual, por exemplo, tem o mérito de resgatar cenários grandiosos, preenchendo-os com cores e realismo e legando aos personagens expressões quase perfeitas.

Portanto, este filme é garantia de diversão. Corra para o videoclube mais próximo e o assista no feriado com as crianças. Eu recomendo com louvor. 

Maiores detalhes sobre esta produção podem ser obtidos na Guia do Filmes e Livros do Mês do blog. Clique em cima do nome do filme e você será redirecionado à página dele na rede de relacionamentos Filmow. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Filmes recomendados (II)


A festa de Babette


O filme deste mês é uma recomendação da minha amiga Monica Reis, professora e artista plástica que vive em Porto Alegre, RS. Trata-se de "A Festa de Babette", de Gabriel Axel, lançado no ano de 1987

Ganhador do Oscar® de Melhor Filme Estrangeiro em 1988 (para a Dinamarca), o filme conta a história da francesa Babette, que fugindo da repressão à Comuna de Paris (o primeiro governo operário na França, implantado em 1871), acaba se refugiando em um vilarejo dinamarquês onde se emprega como faxineira e cozinheira na casa de duas irmãs solteironas, filhas de um pastor.

Quatorze anos se passam quando Babette ganha uma fortuna na loteria. Em vez de voltar à França, ela pede permissão às patroas para preparar um jantar em comemoração ao centésimo aniversário do pastor. A princípio, os convidados ficam assustados, temendo ferir alguma lei divina ao aceitar um jantar francês, mas acabam comparecendo e se deliciam com a festa de Babette.

Delicie-se você também, observando as iguarias que Babette prepara no decorrer do filme. Na opinião de Monica, um filme inesquecível e que melhor personifica a gastronomia no mundo do cinema. Disponível em DVD no Brasil.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Filmes recomendados (I)




Como Água Para Chocolate

Trata-se de um belíssimo filme mexicano dirigido por Alfonso Arau, baseado na obra literária homônima da também mexicana Laura Esquivel. Assisti há muito tempo atrás e repetidas vezes, por conta de seu conteúdo lírico, romântico e bastante ligado à gastronomia.

O filme é a história de Tita (Lumi Cavazos), que nasceu na cozinha do rancho de sua família, quando sua mãe (Regina Torné) estava cortando cebolas.

Logo após o nascimento, seu pai morre de um ataque cardíaco fulminante, em plena briga com sua mãe, onde questiona à esposa a real paternidade de sua mais recém-nascida filha. Mas sem sucesso.

Com o acontecido (a viuvez precoce de sua mãe), Tita começa a ser criada por ela seguindo uma curiosa tradição local que diz que a filha mais nova jamais poderá se casar, mesmo que se apaixone, para poder cuidar de sua mãe até a hora de sua morte.

Porém, ao crescer, Tita se apaixona por Pedro Muzquiz (Marco Leonardi), que também deseja se casar com ela. Sua mãe, amargurada e com índole difícil, veta o matrimônio devido à tradição, e sugere que Pedro se case com Rosaura (Yareli Arizmendi), a irmã dois anos mais velha que Tita.

Pedro aceita, pois apenas assim poderá estar perto de Tita. E esta, como não pode expressar seu amor às claras por Pedro, começa um jogo diário de sedução que envolve preparar iguarias exóticas e afrodisíacas, com muito gosto ao cunhado, o grande amor de sua vida, pois ela é exímia cozinheira.

Como podem perceber, um prato cheio para os cinéfilos que amam gastronomia. 

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